O Nordeste do Brasil passou então a abrigar um universo que se firmou com uma série de referências próprias, sejam elas estéticas, religiosas, musicais, gastronômicas ou sociais.


Contar o Brasil através do Sertão, revelando o Nordeste visto pelos olhos dos vaqueiros:
as vestimentas, a lida, as celebrações e os rituais de fé, os cantos e aboios, a alimentação.


O que se propõe aqui é desvelar o universo daqueles que surgiram a partir da chamada Civilização do Couro, e que permanecem imprimindo identidade própria a nordestinos e brasileiros. A história registra a chegada do gado no Brasil em 1534. O animal se transforma em importante fator da economia colonial. Serve tanto como mão-de-obra, auxiliando o trabalho dos escravos nos engenhos de açúcar, quanto como gerador de alimentos (carne e leite) para as gentes das fazendas e povoados.

Com o passar dos anos, aos vaqueiros são atribuídas tarefas que exigem coragem: perseguir, ferrar, tratar dos animais. Para o ofício, são escolhidos homens livres brancos, mulatos, pretos forros e também índios. O trabalho significava, além de forte ligação com os proprietários de terra, a possibilidade concreta de uma ascensão social, mesmo que pequena. O Nordeste do Brasil passou então a abrigar um universo que se firmou com uma série de referências próprias, sejam elas estéticas, religiosas, musicais, gastronômicas ou sociais. Um universo que exibe beleza e poesia em meio à aridez do Sertão; que mostra habilidade e destreza no dia-a-dia de trabalho duro; que vem acompanhado por cores, desenhos, sons, música, versos - todos liderados pela figura mítica do vaqueiro. É este o Brasil que queremos revelar.

Para isso, o projeto foi pensado em seis partes principais: a chegada do boi ao Brasil; as celebrações religiosas; as festas de apartação; a música e a sonoridade; a alimentação. O último item a ser tratado é a literatura, onde mostraremos o universo do vaqueiro sob o olhar de grandes escritores brasileiros: João Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Capistrano de Abreu, Luís da Câmara Cascudo, Ascenso Ferreira. O escritor Ariano Suassuna colabora com o projeto cedendo a publicação de poemas e o uso da Tipografia Armorial - letras desenhadas a partir dos ferros de marcar boi usados no Sertão, na região do Cariri paraibano.